Oportunidade

Estado Oferece mais de 13 mil Vagas em Cursos de Qualificação Profissional

As pessoas que buscam vagas no mercado de trabalho percebem que a cada dia a qualificação tem mais peso na conquista do emprego. A regra também vale mesmo para profissões em que o nível de exigência em relação ao estudo formal é menor, como empregada doméstica, pedreiro e soldador. Por isso, quem procura hoje os Postos de Atendimento ao Trabalhador (PATs) espalhados pelo Estado é convidado a participar de cursos gratuitos de qualificação nas áreas mais procuradas pelos empregadores. Atualmente, mais de 13 mil vagas estão à disposição dos trabalhadores, em cursos como soldagem, informática básica, pedreiro, eletricista, costura industrial, atendimento ao cliente, segurança em condomínios, hotelaria, cozinha para restaurante e lanchonete, recepcionista e muitos outros. São cerca de 90 diferentes especialidades.

Com 200 horas de aula, os cursos são divididos em 120 horas de conhecimentos gerais, onde há reforço nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, e 80 horas de conteúdo prático. O programa conta com a parceria de instituições respeitadas pelo mercado de trabalho, como o Centro Paula Souza, Senac e Senai, que ministram os cursos. O material didático, que é gratuito, foi desenvolvido pela Fundação Padre Anchieta.

Os alunos recebem as apostilas, caderno, lápis, borracha e caneta. Eles também têm direito a lanche no intervalo das aulas e auxílio transporte, além do acesso aos recursos que as instituições de ensino que participam do programa oferecem, como computador, data-show e salas de aula confortáveis.

Os cursos começaram em agosto e novas turmas são abertas diariamente em todas as regiões do Estado. Atualmente, quase 10 mil pessoas estão em salas de aula das três instituições buscando atualizar conhecimentos para conquistar um emprego. Somente este ano, serão oferecidas cerca de 30 mil vagas e, até 2010, a meta é atingir 180 mil pessoas qualificadas nas funções mais procuradas pelos empregadores.

Para participar dos cursos é preciso estar desempregado, ter entre 20 e 59 anos e se cadastrar em um dos Postos de Atendimento ao Trabalhador (PATs) espalhados pelo Estado. Em cidades onde não há PAT, o interessado deve ir direto à unidade do Senac, Senai ou Centro Paula Souza (o Paula Souza oferece vagas somente no interior). A escolaridade exigida varia de acordo com o curso. Para o cadastro é necessário apresentar RG, CPF e carteira de trabalho. Os endereços dos PATs podem ser obtidos no site da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho: www.emprego.sp.gov.br.

Na medida em que novas vagas são abertas, as pessoas que se inscreveram nos PATs recebem um telegrama de convocação e precisam ir até a unidade que oferece o curso para confirmar a inscrição. As vagas são limitadas e preenchidas de acordo com a ordem de chegada dos interessados.

Diagnóstico

Para chegar aos temas e ao formato dos cursos, a Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho se baseou em um grande estudo realizado ao longo do ano passado. “Fizemos um diagnóstico para conhecer as reais necessidades do mercado e dos trabalhadores”, explica o coordenador de Políticas de Emprego e Renda da Secretaria, Juan Carlos Danz Sanchez.

A idéia de fazer o diagnóstico surgiu a partir da constatação de que menos de 40% dos trabalhadores que os PATs encaminhavam para as empresas para a disputa de vagas conseguia o emprego.

Para se ter uma idéia, no ano passado, os 208 Postos de Atendimento ao Trabalhador (PATs) do Estado receberam cerca de 1,2 milhão de desempregados. A maioria, mais de 1,1 milhão, foi encaminhada às empresas para disputar as 395,8 mil vagas oferecidas. Apenas 150,6 mil conseguiram emprego.

A explicação do mercado de trabalho é que a maioria dos candidatos não tem escolaridade e qualificação adequadas, mesmo para tarefas que exigem pouca escolaridade, como empregada doméstica, porteiro, pedreiro e auxiliar de limpeza, que estão entre as ocupações mais procuradas pelas empresas.

Assim, a Secretaria do Emprego realizou, de abril a dezembro do ano passado, um grande levantamento da situação do emprego no Estado. Os prefeitos foram convidados a responder questionários, foram realizadas oficinas de trabalho da qual participaram trabalhadores, empregadores e poder público e, em seguida, as informações levantadas nas duas ações foram cruzadas com dados sócio-econômicos da Fundação Seade.

A partir desse estudo a Secretaria conseguiu mapear as principais dificuldades do trabalhador que busca colocação/recolocação. “Identificamos que há uma associação de falta der qualificação com falta de escolaridade. A maioria das pessoas com mais de 30 anos que procuram os PATs, por exemplo, tem baixa escolaridade”, comenta.

Com esses dados em mãos, a Secretaria definiu, então, o tipo de qualificação a ser oferecido aos trabalhadores, levando em conta a demanda de mão-de-obra em cada região e o perfil do trabalhador que busca emprego.

O conteúdo dos cursos, com aulas voltadas a conhecimentos gerais e habilidades específicas, foi formatado pela Secretaria, que contou com a parceria da Fundação Padre Anchieta. “A ação focada nas habilidades gerais visa exatamente resgatar o estudo perdido, com reforço principalmente em Língua Portuguesa e Matemática”, observa Sanchez, referindo-se às 120 horas iniciais, que são iguais para todos os cerca de 90 diferentes cursos oferecidos.

Sanchez ressalta que o objetivo do Estado é oferecer a qualificação sempre de acordo com as necessidades do mercado. Como o mercado é muito dinâmico, o diagnóstico será permanentemente atualizado. “Em 2009 teremos novo levantamento para verificar se os cursos que oferecemos continuam concentrando as atividades mais procuradas pelas empresas“, diz.

Além disso, a Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho contratou uma consultoria para acompanhar por um período pessoas que concluem os cursos do PEQ. “A idéia é saber qual o impacto dos cursos de qualificação na vida das pessoas e de suas famílias. Às vezes a pessoa não consegue emprego com carteira assinada, mas consegue gerar renda com trabalhos temporários. Tudo isso será mapeado”, esclarece o coordenador de Políticas de Emprego e Renda da Secretaria. As primeiras turmas começam a se formar por volta de 15 de outubro.

Da Assessoria

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