Eleições 2008
Candidatos trocam ataques no debate em São Paulo
O debate promovido pela TV Bandeirantes foi marcado por ataques feitos pelos candidatos à prefeitura da cidade de São Paulo. Os candidatos que já tiveram experiência administrativa tiveram que se defender de acusações. Paulo Maluf (PP), Gilberto Kassab (DEM), Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) foram os principais alvos. Também participaram do programa Renato Reichmann (PMN), Ciro Moura (PTC), Ivan Valente (Psol) e Soninha Francine (PPS).
No primeiro bloco do debate, cada um apresentou suas propostas para melhorar a qualidade do ar na capital paulista e reduzir a poluição. Em clima tranqüilo, os oito participantes se limitaram à apresentação de idéias, sendo que a única “alfinetada” partiu da petista Marta Suplicy contra o atual prefeito Gilberto Kassab (DEM).
No segundo bloco, os candidatos que já estiveram à frente da gestão da capital aproveitaram para destacar suas realizações e criticaram ações das gestões adversárias. A primeira a falar, por sorteio, foi Soninha (PPS), que questionou Marta Suplicy (PT) sobre o transporte público e criticou o Fura Fila e o Expresso Tiradentes. Ambas candidatas trocaram elogios.
Kassab atacou a administração estadual de Alckmin. “Em relação à iluminação pública, o que atrapalha São Paulo é que no seu governo, na privatização das empresas, não foi colocado como obrigação delas que trocassem iluminação (onde estava faltando)”
Na terceira etapa do programa, os políticos deixaram de lado a postura comedida das duas partes anteriores e partiram para o ataque direto. O prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), foi o primeiro a questionar os adversários e dirigiu sua pergunta à Marta Suplicy para criticar o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB).
Kassab questionou se Alckmin não teria cuidado dos postos de saúde da capital paulista, em referência às Unidades Básicas de Saúde (UBS)administradas pelo Governo do Estado. Marta disse que os hospitais municipais estavam sucateados quando chegou a prefeitura e que é necessário aumentar o número de médicos nas UBS. Kassab rebateu afirmando que as UBS foram recuperadas em sua gestão e lançou um desafio à Marta: “comparar nossas gestões, em cada área”. “Com prazer”, respondeu a petista.
Geraldo Alckmin (PSDB) disse que prefeitura de São Paulo foi deixada em estado lastimável por Marta com aumento de taxas e impostos deixando as contas “quebradas”. Marta Suplicy respondeu que se tratava de uma mentira, e afirmou ter deixado superávit.
Alckmin atacou novamente a petista, dizendo que se preocuparia com Marta ter afirmado que ficaria os quatro anos no cargo. “O fato é que a prefeitura foi entregue em estado um lastimável. Do ponto de vista da saúde, nenhum leito e com muitas taxas criadas”. Marta disse que gostou do ataque, e afirmou que dava a oportunidade de rebater as “mentiras” do adversário.
Marta disse que passou por momentos difíceis porque Pitta “não pagou nenhum precatório”, durante sua administração. A ex-ministra afirmou que as dívidas foram pagas em seu governo. Alckmin concordou com às criticas feitas à Pitta e Maluf mas também colocou que a ex-prefeita não pagou precatórios em sua administração.
Maluf escolheu Alckmin para perguntar sobre educação. “Suas escolas eram piores que no Piauí. Ele questionou se Alckmin manteria a progressão continuada. Alckmin disse que a progressão continuada foi criada pelo PT, que a reprovação cria a cultura do fracasso eque ela deve acontecer apenas em caso de falta. Maluf disse que Alckmin não conhece São Paulo e que a progressão continuada foi considerada o pior sistema do Brasil. “O garoto chega à 4° série sem saber ler”, disse.
No penúltimo bloco, os participantes tiveram que se defender diante das perguntas feitas por jornalistas. Paulo Maluf (PP) foi questionado sobre o fato de ter sido preso e Gilberto Kassab (DEM), por ter tido o nome incluído na lista de candidatos com pendências na Justiça, as chamadas “fichas sujas” da Associação de Magistrados do Brasil (AMB).
Kassab disse ser necessário haver transparência. “Em uma democracia é necessário haver informação”. Quando ao episódio dos emails enviados por ele para subprefeitos alertando sobre realização de pesquisa eleitoral, o atual prefeito afirmou que mandou o memso porque grupos buscam tumultuar as pesquisas regionais.
Já Maluf (PP) se defendeu das acusações dizendo que foi inocentado das acusações e ironizou a lista da AMB. “É como se um torcedor do Corinthias apitasse uma partida do Palmeiras”.
O candidato do Psol, Ivan Valente disse que o PSDB, o PT e o PP praticaram a política neoliberal. Afirmou ainda que a dívida pública explodiu no governo Celso Pitta e que todos agora estão pagando juros da dívida pública, o que impediria investimentos públicos.
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