Marta nas Olimpíadas
Jogos de Pequim já começam como revanche para Marta
Em Pequim, Marta disputará pela segunda vez as Olimpíadas. Eleita pela FIFA como a melhor jogadora de futebol do mundo, a atacante ainda se lembra dos últimos Jogos, em Atenas, quando o Brasil bateu na trave e ficou com a medalha de prata. Por isso mesmo é que a atacante não quer nem pensar em repetir o final da história.

Brasil e Alemanha são consideradas as equipes mais fortes do Grupo F da Olimpíadas de Pequim, que ainda tem Coréia do Norte e Nigéria. “A nossa chave é bem complicada, mas já falei com as meninas que se queremos, mesmo, ganhar o ouro, temos de passar por cima de todos os adversários”, ressalta.
Marta também faz questão de falar da importância do resultado positivo na China: “Eu falo constantemente com as meninas que jogam aqui. As Olimpíadas serão, com certeza, um instrumento que pode nos ajudar a desenvolver o futebol feminino no Brasil. Muita coisa mudou, mas temos muitas jogadoras que têm de trabalhar além de representar a Seleção. Quatro anos se passaram desde os Jogos de Atenas e nosso time está muito mais bem preparado hoje, muito mais maduro.”
A “Pelé de saias” vai além quando analisa a situação do futebol feminino no Brasil. “Essas meninas que jogam aqui não têm pretensão de ganhar milhões, mas elas querem um salário digno. Tem gente que só ganha auxílio de condução para treinar por seus clubes. Tem muita jogadora que passou pela Seleção Brasileira e hoje não tem nem mais clube para treinar. Temos de batalhar para tentar mudar essa realidade, e eu acredito que possa ajudar nesse processo. É o que tento fazer desde que a FIFA me elegeu como a melhor jogadora do mundo. Eu sempre digo para elas não desistirem dos sonhos”, afirma.
Marta garante: na Suécia tem churrasco, feijoada e praia, sim!
Já faz quatro anos que Marta joga futebol na pequena cidade de Umea, na Suécia. Foi atuando lá que a jogadora venceu a Copa da UEFA com o Umea IK, fez o pé-de-meia e se consagrou como melhor jogadora de futebol do mundo eleita pela FIFA. Apesar de toda a gratidão que tem pela cidade de 110 mil habitantes, a atleta do Time Medalha Azul Samsung admite que sempre bate saudade de casa, em Dois Riachos, Alagoas.
Foi ali que Marta começou a jogar futebol com os meninos da rua, e que deu seus primeiros passes e olés — chutando cocos. Para não se deixar abater com a distância, a jogadora faz adaptações em sua rotina. “Graças a Deus eu conheci lá na Suécia uma família de brasileiros que, por coincidência, é de Alagoas. A gente faz churrasco, feijoada, fica sentado perto do rio… é uma delícia. Ainda bem que encontrei essas pessoas, que se tornaram grandes amigas”, conta.
Por incrível que pareça, até mesmo belas praias Marta conseguiu encontrar na Suécia. “São pontos isolados e muito bonitos. Quando é verão, é muito bom ir até lá relaxar e tomar sol. Só que eu não entro na água, não; é muito gelada. Aí é querer demais!”, confessa a alagoana, que faz questão de manter o bronzeado o ano todo.
Mesmo quando não está em campo treinando, marcando gols ou driblando adversárias, Marta não se desliga do futebol. Quando questionada sobre seu time de coração, o Corinthians, ela canta o grito da torcida: “Corinthians, Corinthians minha vida, Corinthians minha história, Corinthians meu amor… Foi amor à primeira vista. Quando eu tinha uns 9 anos e já entendia um pouco de futebol, eu vi o Corinthians na televisão e disse para minha mãe que era para aquele time que eu ia torcer. É paixão, não tem jeito.”
E ela garante que nenhum corintiano se abala ao ver o time na série B do Campeonato Brasileiro. “Mas isso já aconteceu com tantos times grandes, não tem problema nenhum, não. Ano que vem a gente vai poder fazer a festa quando o Timão voltar para a primeira divisão”, conclui.