IV Congresso Brasileiro de Publicidade

Civita e Marinho defendem publicidade como pilar da democracia

Civita e Marinho defendem publicidade como pilar da democracia
Roberto Civita, da Abril, e João Roberto Marinho, das organizações Globo, fizeram palestras ontem (15) no IV Congresso Brasileiro de Publicidade e criticaram as recentes tentativas de restringir a publicidade no País

Roberto Civita, presidente do Conselho de Administração do Grupo Abril, fez a palestra de abertura do segundo dia do IV Congresso Brasileiro de Publicidade abordando a relação entre a publicidade e a liberdade de imprensa. Ele destacou a importância da publicidade para garantir a liberdade de expressão e a independência editorial dos veículos de comunicação. “A publicidade é parte principal das economias livres e o que proporciona o alargamento das nações”, comentou Civita, para quem o IV Congresso é uma oportunidade de refletir sobre o papel do publicitário e do cidadão brasileiro.

“No tripé da comunicação, a publicidade é um dos pilares da imprensa livre e independente. Sem publicidade não existiria uma imprensa vigorosa”, afirmou Civita. Sobre as recentes restrições que ameaçam a publicidade, ele afirmou que não é possível resolver problemas sociais de grande complexidade apenas com proibições à propaganda. Porém, disse que não devemos criticar toda e qualquer restrição ao setor. “Quanto mais defendemos a liberdade na publicidade maior é o compromisso em sermos responsáveis.”

João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, iniciou sua apresentação sobre democracia e liberdade de expressão citando os diversos significados que estas foram ganhando ao longo do tempo - a começar com a Revolução Francesa, em 1789. Depois, enfocou a perda dessa liberdade por meio da censura durante o regime militar, e abordou recentes tentativas de cercear a midia, mesmo no regime democrático.

Como exemplo dessas tentativas de cerceamento, Marinho citou o recente processo enfrentado pelo jornal “Folha de S.Paulo” e pela “Editora Abril”, multados por publicarem entrevistas com Marta Suplicy e outros candidatos à prefeitura de São Paulo. Segundo o Ministério Público Eleitoral, as matérias foram consideradas propaganda eleitoral. “Esse e outros casos colocam o leitor como incapaz de julgar. O poder público não pode cercear a liberdade dos veículos”, afirmou, justificando que os veículos são livres a partir do momento em que obtêm concessões para existirem.

“Numa democracia, há pesos e contrapesos para lidar com questões polêmicas. A liberdade leva a um equilíbrio maior. É o exercício da liberdade que nos faz amadurecer como cidadãos”, afirmou Marinho.

O vice-presidente das Organizações Globo ressaltou também o trabalho dos publicitários. “A propaganda também sofre censura, e ela também é responsável por formar o público. Só que, na visão paternalista, o consumidor é sempre desavisado”, diz. Para o jornalista, “estamos aptos a julgar o que vemos, mas com as proibições até o conteúdo torna-se infantilizado”, completa.

João Roberto Marinho finalizou sua palestra pedindo para que todos lutem pelo direito da liberdade de expressão: “Sem ela, a democracia nunca existirá.”

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